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quarta-feira, 21 de março de 2012

No entanto

Postado por Camilla Fernanda às 13:53 1 comentários


É como dar leite num pires raso a um gatinho doente, muito doente, canceroso até. Alimentar esse envolvimento com pequenos encontros e gestos enigmáticos é um sopro de vida, no entanto qualquer esperto consegue ver que não vai dar em nada, que a coisa toda vai morrer até mesmo antes de chegar ao fim. Nossas discrepâncias são o câncer do nosso fatídico encontro por acaso, e não me venha com essa história de completude e laranjas deixadas pela metade, ninguém aqui é adolescente ou fã de Nicholas Sparks. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

The lack

Postado por Camilla Fernanda às 03:01 3 comentários


Saudade é pra quem sente amor. Sentir falta é pra quem sente vazio. [...]


"[...] Entrei desfalcado nesse nosso jogo de silêncio. Se bem me conheço, vou me arrepender e te procurar, eu sei. Mas isso tem de ser feito agora. Vamos viver uma coisa por vez. Só aceitei perder você porque foi de W.O.

E amanhã será um novo dia igual a este. Mas, de que adianta desejar um novo dia se, ao mesmo tempo, desejo também um mesmo e velho erro? O relógio devia me dar um tempo ou parar até eu me resolver. Por isso vim. E, também por isso, quase não vim. Entre nós, a verdade é que ninguém tá nem aí pra ninguém.

Se não for pedir muito, emita algum sinal, deixe um alô na minha timeline, que eu vejo aqui do meu lado, assim que lembrar das senhas pra te ganhar. Sim, às vezes te procuro na web, grande áfrica. Quero saber com quem você anda e o porquê do silêncio. Tá estampado e nítido na sua cara, no seu riso-ejaculação-precoce, que também não me esqueceu. Ainda.

Tenho saudades. Quero dizer, desculpe, sinto sua falta... "



Gabito Nunes , texto completo aqui

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Contém 1 drama

Postado por Camilla Fernanda às 11:08 0 comentários




"Garotas são loucas, se fossem vendidas em frascos, viria rotulado: contém 1 drama."






Gabito Nunes


O meu com certeza seria:  2 dramas e meio, 3 exageros e algumas neuroses. =D  




quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Nem pra sempre, nem nunca mais.

Postado por Camilla Fernanda às 00:36 2 comentários
O que criado não for...copiado será.

Autópsia   



Gabito Nunes [ de novo]



Já deve ter sofrido por amor, já deve ter se ferido no início, quando era um desconhecido pra mim. É sempre mais reconfortante pensar que seria melhor nem nascer, mas uma vez nascendo, o sofrimento afetivo é o pedágio da vida. Todos passam por isso. Morremos a cada segundo, como uma pilha de pétalas sendo atravessadas por uma agulha negra.

Mas você já sentiu-se como um rato de laboratório? Um bichinho fofo, peludo e pequeno à mercê dos experimentos mais dementes e excessivos de alguém? Como, por exemplo, ter seu minúsculo coraçãozinho arrancado pra fora do corpo e vê-lo pulsando na mão de unhas sujas de uma pessoa babando de insensatez sem o menor pudor de deixá-lo cair?

Eu não sabia que era possível naufragar em salivas, do contrário teria tomado mais precauções com suas frases e atos contradizentes. O primeiro marcando minha existência poética, e o segundo desmarcando esperados encontros como quem descarta comida azeda.

Eu joguei sim, desconversei, fiz cena. É que não queria você me rejeitando de cara. Mas se dei a entender que eu não passava de um brinquedo, desculpa, me expressei errado. Agora me resta ouvir as canções que jurei ódio e não posso passar as faixas românticas, pois perdi o manual de instruções do aparelho de som no meu ouvido interno. Na fossa, não conte com seus amigos, ouça [ OUÇA ESSA ] música, elas são o melhor ombro.

Você acha bonito e divertido fazer todo mundo de idiota? Sério, você se orgulha de ser assim? Pra você é muito fácil apenas não atender telefonemas enquanto floresce em cada uma de suas presas a muda do ressentimento e humilhação, que lá na frente produzirá as maiores sombras frígidas. Você nem ficará sabendo. Permaneceremos jogadas no lixo que é sua memória.

É fácil seguir em frente pra quem não tem razões pra olhar pra trás, pra quem não tem visão periférica ou mesmo o costume de olhar os lados alheios. E não venha chamar isso de escudo. Tornar-se uma pessoa sórdida pra se defender do mundo é como escapar de um assassino no topo de um prédio. E depois jogar-se de lá.

Mas tanto faz. São apenas anotações de quem deu o ego a abater e precisa lembrar o momento exato que o pulso começa a latejar. Foi só mais um alguém que se aproximou ofertando uma maçã do amor numa mão com a foice da paixão na outra. Quantos pedaços você precisa juntar, quando alguém esquarteja um meio-amor? Não sei, não quero fazer a conta, vou guardar forças pra pagá-la em todas aquelas prestações de resguardo, descrença e reflexão, quando a gente faz uma espécie de autópsia sentimental - vivo e sem anestesia.

Pelo menos até a anunciação do próximo ciclo de vida (e morte). É assim, tudo que não gera felicidade, degerenera, morre na impermanência. Nem pra sempre, nem nunca mais.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Meio que bullying...

Postado por Camilla Fernanda às 14:26 1 comentários
Gabito Nunes



" [...]- Se você prestar bem atenção, quase todas as canções falam de amor. Numa ponta os não correspondidos, tema talvez de sete ou oito décimos do todo. Noutra, as músicas com refrões sobre pessoas que se encontraram e estão apaixonados, otimistas e pateticamente exultantes. Existe aí um hiato, uma brecha, uma falha artística. Qual o lugar das pessoas incapacitadas de amar? As pessoas que não têm paciência, os sem disciplina, os parafusos quadrados, os que não convencidos de que alguma frase termine bem com algum sujeito conjugando amor.

Eu acredito que, na maior parte, as histórias de amor são feitas de gente que tentou ser feliz e teve os sonhos quebrados, e estas estão agora mesmo concentradas em quebrar os sonhos de outro alguém. Porque assim a coisa funciona e ninguém se flagrou. Quem sabe, eu acho, me encaixo neste terceiro grupo, o meio-termo, os perdidos no vácuo, os analfabetos sentimentais, os com a memória quase cheia de más recordações, sou daqueles cujos anos desperdiçados nunca desaparecem, os amaldiçoados que nunca ouviram um eu-te-amo de um interlocutor apaixonado, nem de mentirinha.

Amor, pra mim, sempre foi meio que bullying [...]"






Link do texto completo: AQUI

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Freud explica

Postado por Camilla Fernanda às 20:05 1 comentários
Como terminei com uma psicóloga por motivos fúteis - 


Gabito Nunes


Era um pouco orgulhosa. Mas na boa, quem não é? No primeiro encontro, jogando pipoca caramelada aos macacos, tropeçou deixando cair todo o saquinho no córrego que separava os visitantes da jaula. Ridiculamente gaga e corada, disse ser uma tradição judaica de alimentar cisnes peregrinos que usariam o caminho pra migrar ao sul do parque, no verão. Irredutível, todos os domingos atirava um pacote gigante de pipoca no laguinho verde musgo. Tropeçava até, dizia fazer parte do ritual. Só parou quando um guarda mirim descobriu o responsável pela mortandade de cisnes com alto colesterol ruim. Foi sua segunda passagem pela polícia.

Era um pouco romântica. Mas na boa, quem não é? Foi brabo, tive até de chamar um primo que trabalha no mercado de games publicitários pra explicar o conceito didático das animações de Walt Disney, sua maior fixação de amor. Certa noite, depois de me atirar prontuários e históricos de pacientes, jogou na minha cara que mesmo eu não a desejando mais, jamais ficaria só. Parece que o Pato Donald arrastava um bonde por ela. Ainda que convencida, algumas madrugadas a flagrei aos sussurros no telefone, marcando passeios românticos por cafés e cinemas de Patópolis.

Mas era o tipo de psicóloga que eu gostava. O tipo devassa. Ela tinha uma dissertação um tanto inusitada - "Círculos viciosos e a física quântica na psicologia: como dominar o mundo fazendo com que cada psicólogo tenha seu próprio psicólogo". Era um tanto confuso. Mas na boa, qual marco teórico não é? Tinha ali uma passagem afirmando que o sexo só era pecado na horizontal ou na vertical. Caso praticado na diagonal, ultrapassaria qualquer valor moral ou mandamento cristão. Usou tal argumentação com seu sobrinho nerd de treze anos. Ele esperava baixar um download e não a cueca. Fora sua primeira passagem pela polícia.

Era um pouco esquizofrênica. Mas na boa, quem não é? Numa segunda-feira vesperal, a apanhei pregando uma moldura psicodélica associando Lacan à Coca-Cola. Também comprou algumas latas de atum, um desentupidor de pia e um tapete com a inscrição: "Bem-vindo ao doce lar dos Silva", mesmo ela sendo uma Pereira desde criancinha. Justificou que não se casou pra morar num canto que lembrasse o esconderijo de um árabe homem-bomba. Quem fez o pedido, eu nunca soube. Tentei argumentar com a falta de uma aliança no dedo, mas era do tipo moderna. O médico mandou não contrariar. Eu contrariei. Ela tentou suicídio, se lançando da janela do térreo. Aí, o ortodontista mandou não contrariar. Concordei.

Era um pouco briguenta. Mas na boa, quem não é? Nada que vá além de me deixar em coma por uns bons meses primaveris por usar o sexo como arma. Possuía uma superexcitação só comparada a uma espécie fêmea de carrapato. Culpa minha, que só depois descobri o antídoto pra sua raiva. Nutella. Descoberta sua predileção pela sobremesa, abasteci os armários às vésperas de uma TPM que se anunciava no sotaque de Anthony Hopkins em "Silêncio dos Inocentes". Chorei imediatamente ao chegar em casa e me deparar logo na entrada com uma tropa de soldadinhos moldados com chocolate, apontando Big Mac's minimalistas na minha direção.

Passei a cogitar terminar em meados dela completar sua tese de doutorado. Algo tipo "Como controlar a densidade da massa com repressão psicológica cognitiva e uma colher de azeite de oliva: uma oposição às máximas do pensamento socrático sobre o nada". No dia de sua banca, o corpo docente ponderou seu trabalho por dezoito segundos antes de jogar amendoim salgado na coitada da coitadinha. Forçada a aceitar seu período sabático, preenchia seus dias de ócio com uma ideia inovadora: um livro de receitas/romance intitulado: "Mil e Uma Noites de Comidinhas Pra Beliscar Enquanto Planeja Colar O Pinto Do Seu Namorado No Pé Da Cama". Não vendeu muita coisa. Logo acabei.

Não é um pesadelo freudiano meu com psicólogas. Eu juro, aconteceu de verdade. Às vezes, a gente deixa de viver belas e parisienses histórias de amor arranjando essas listas pessoais de razões bobas e intimistas. Tudo pra não se envolver com pessoas que, a priori, não são tão bacanas e têm pouca didática pra nos convencer da paixão ofertada pela confluência do cosmos. Foi uma pena terminar com a psicóloga essa. Me confesso um pouco intolerante. Mas na boa, quem não é?

sábado, 7 de maio de 2011

A pessoa que você tanto não procura

Postado por Camilla Fernanda às 00:36 3 comentários




"Ok, você pode negar o chamado, o acaso, a chance, o que for, mas depois que você passa a olhar a fisionomia da outra pessoa de uma forma diferente e ternurenta, é como se você atravessasse uma ponte retrátil...


Merda."




Gabito Nunes
texto completo aqui 
 

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