terça-feira, 5 de outubro de 2010

"Eu não falo de dor...

Postado por Camilla Fernanda às 09:46
Reações: 


eu falo da estranha sensação que é não sentir NADA."
Não é que eu não sinta, eu só .... não sinto sabe?! Eu tinha andado meio distraída, ligada no automático e nem tinha percebido. Mas é isso mesmo, atualmente não sinto nada.
É claro que isso não é nenhuma novidade pra mim, já tinha passado por momentos assim antes. Mas antes eram apenas 'momentos' agora são dias.
Eu sempre fui meio estranha, diferente da maioria e blá blá blá... nunca achei que álcool resolveria, muito menos que festinhas-futéis-tocando-a-música-do-momento iam me acrescentar alguma coisa.
Eu sempre busquei MAIS, sempre achei que tinha alguma coisa, que ia chegar alguma hora, pra preencher essa parada. E fui levando a vida assim, de uma maneira um tanto quanto estranha e quase feliz.
Ai estou eu, no meio da aula de Inconsciente I, ouvindo a professora dizer que nós já nascemos com a falta/perda de alguma coisa e passamos a vida inteira tentando preencher o que não se preenche. Inventamos histórias, amores, alegrias e etc.. pra tentar colocar um objeto nessa lacuna.
E aí eu percebo que o meu curso (psi) é o melhor e mais angustiante do mundo, porque a partir do momento que define-se algo, corre-se o risco de limitar ou infinitar esse algo. E nesse caso infinitou (isso existe?). Antes era só uma TPM prolongada, uma ligeira depressão. Eu parava e pensava "Aff hoje eu tô meio down" e pronto.
Aparecia algo que me animava e eu esquecia. Mas agora que sei, que é humano sentir isso, que isso se chama VAZIO EXISTENCIAL e que já nascemos tentando preenchê-lo,tudo tomou proporções gigantescas, só consigo imaginar um buraco negro que nunca será preenchido por nada. O que me fez lembrar o Lennon "A ignorância é uma espécie de benção". E é mesmo.Sem saber, eu quase nem sentia.
Para a psicanálise viveremos pra sempre com a perda/ falta e no momento do ápice ( angústia) procuraremos um objeto pra preencher essa falta. Lembro dela dizer que o amor é o mais usado. (O amor? Será? Ele preenche mesmo?).
Mas, eu com toda a minha intensidade e medo da vida, costumo desejar demais as coisas. Quando quero, quero muito e quero agora. É tudo ou nada. É 8 ou 80. Não sei viver na superfície das coisas. E quando não sinto esse querer intenso, costumo nem levar pra frente qualquer projeto de envolvimento. Porque se eu não estiver completamente envolvida e embriagada por sentimentos, costumo ter pavor de qualquer profundidade. Eis aí a minha contradição.Por isso nunca encontrei preenchimento algum no amor, ninguém quer uma louca complicada e contraditória. Então lembro da Tati Bernardi:  "Você deveria saber. Eles nunca são a resposta. Nunca foram".E decido que o amor não deve mesmo preencher.
No post passado disse "Aprende, aprende, aprende que dói menos". Agora, digo que não sinto nada. Eu costumo oscilar muito entre esses dois estágios (o de dor e o de não sentir nada), no post passado me referia a minha velha mania de positivar afeto, pra tentar preencher este vazio. Aquela mania de inventar amores, pra ter com quem sonhar, o que desejar, pra ter objetivo mesmo. Isso nunca deu certo pra mim. NUNCA. 
Sempre sonho, desejo sozinha e depois de perceber isso, me deparo com um sentimento de quase dor seguido de um não-sentir. Como se a frustração de perceber que tudo se repete, levasse ao bloqueio de qualquer sentimento. Me fazendo possuir um coração anestesiado. Ou seja, caio no vazio de novo. É um círculo vicioso imutável. Que só me leva a pensar que não fui mesmo feita pra isso. Devo fazer parte de uma espécie não-humana rara-limitada-de-seres-que-buscam, só pode.O que me lembrou do Lewis: "Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para outro mundo." 
Daí, decido que é isso. Fui feita pra outro mundo e devo passar a vida tentando encontrar o caminho de casa, bem no estilo Dungeons & Dragons (Caverna do Dragão), vivendo de esperança e ilusão, buscando o fim de uma história sem final. Levando a sensação de que não sentir nada é pior que sentir dor.

4 comentários:

Renata Sousa on 5 de outubro de 2010 10:13 disse...

muito bacana esse teu post, Camilaa! Como sempre, adoro tuas leituras e os respectivos encadeamentos na tua vivência.
Até qlqr hora pelos corredores da ufma. kkk
;*

.Sté. on 5 de outubro de 2010 14:07 disse...

A medida que fui lendo fui encolhendo.
Esse é um momento de descobertas de si mesma e de escolhas Camila.. Nós sempre refletimos mais e tomamos os melhores caminhos quando fazemos escolhas com cautela.
E a de ser FELIZ sempre é a melhor opção.
Vai vivendo, que amor de verdade um dia aparece, de repente e sem aviso prévio.
Beijos

Larysse Tavares on 6 de outubro de 2010 11:55 disse...

Achei ótima essa tua análise. Precisamos ponderar sobre nossos costumes, hábitos sentimentais. Confesso que quando estudei sobre Id, Ego e Superego no 2º semestre achei que fosse pirar, mas foi tão bom, poder entender-me ao menos um pouco. Concordo com a Sté, ser FELIZ sempre é a melhor opção. Não acredito na chegada de um grande amor, acredito no amor que a gente constrói diariamente. Esteja disposta a isso, apesar de tudo. Respeite-se, ame-se e permita-se ser amada! Beijos Cam! Bom mês de outubro!

Yullia Marizia on 9 de outubro de 2010 11:14 disse...

Camcaaaaam, minha futura psicóloga favorita . UMa coisa é certa: esse vazio existencial deu uma ótima postagem
Parabéns primeiramente por consegui articular as idéias, eu luto pra conseguir fazer isso, Ô vida.
E segundo, tu me lembrou aquela famosa frase que nós amamos: ...são apenas cereais. Vamos continuar na caminhada, tentanto uma atitude fenomenológica, ora caindo na tal da atitude natural pq ninguém é de ferro.
E força, pq daqui pro fim do curso ainda tem muuuuita crise existencial nos esperando.
Aiai, preciso de reforçadores, hehe

Ah, tem um selo pra ti no meu blog, mudei o link, o atual é http://yupapillon.blogspot.com/

 

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