quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Eu, eu mesmo e ninguém

Postado por Camilla Fernanda às 00:58
Reações: 
Desse tipo que escreve por uma necessidade arrebatadora, cá estou eu. Sentada na frente do PC comendo sucrilhos (a la Tati Bernardi), sem nem saber ao certo o que escrever, apenas escrevendo. Não sei o título, o jeito, o estilo que devo seguir, só sei que escrevo. Escrevo como catarse, como fuga ou qualquer coisa que me alivie de mim. Eu transbordo o tempo todo. Nenhuma das minhas válvulas de escape bastam ao meu ser. Não tem espaço, nem tempo, pra tudo que eu quero ser, ou tudo que eu quero expressar.
Quando eu era pequena e me perguntavam o que eu queria ser quando crescer, aquela pergunta irritante que angustia qualquer ser pensante, eu dizia: "Médica e bailarina". (É óbvio que essa pergunta não me angustiava na época, mas que é irritante é.) E passei um bom tempo achando que isso era o que eu queria mesmo e fui vivendo. Tempos depois continuei amando dançar mas comecei a desvincular-me dessa história de medicina e justificava dizendo que não sabia se aguentaria ver tanto sofrimento humano. Eu só conseguia pensar que ia ter que ver muita gente sofrendo e isso definitivamente não era pra mim.
Ao descobrir o meu verdadeiro caminho, a Psicologia, a sensação foi de alívio e certeza. Lembro que tava lendo uma enciclopédia que definia algumas profissões em sua anti-capa, e quando li psicologia e sua definição, pensei: "Meu Deus, é isso mesmo. Como não pensei nisso antes?" E até hoje não consigo imaginar minha vida sem a psicologia. Eu lembro que tive que decepcionar, mesmo que minimamente, meu pai. Pois ele queria que eu fizesse Medicina e achava Psicologia coisa de doido mesmo. (não que não seja, RISOS)
Mas era aquela história, ou eu o decepcionava (rapidão) naquele instante, ou iria viver uma vida frustrada e ia ter que arcar com as consequências disso. Então, desculpa pai.
A escolha da Psicologia obviamente não condiz com aquela minha explicação infantil de abrir mão da medicina por não querer ver sofrimento humano. Tem profissional que lida mais com sofrimento do que psicólogo? Se tem não me informaram. Eu não quis mesmo medicina, porque não é minha praia. O máximo de medicina que entra na minha vida vem da Psicologia ou dos episódios de House. E talvez fique assim mesmo.
Eu tenho uma certa dó de quem não sabe o que quer da vida. Talvez até por não conhecer esse sentimento. O que sempre me ocorreu, foi excesso de querer. Eu quero. Ou melhor, EU QUEROOOOOOOOOO! com letras garrafais e em néon. Eu quero mais e muito. 'Intensidade, baby!'. Eu quero muitas coisas e é esse o meu grande problema.
Eu nasci em 08/08 e a Astrologia me define como leonina. Eu, como tinha de ser, não acredito nessa pseudociência que usa linguagem fria pra definir as pessoas com características genéricas e universais. Mas admito que tenho lá meu desejo por brilho e reconhecimento. E um orgulho que domina boa parte das minhas atitudes.  (Mas no fundo quem não tem?) Tenho dificuldade em demostrar afeto pelas pessoas, estrago meus relacionamentos amorosos a anos por conta disso. Ou demonstro demais na hora errada ou de menos na hora mais errada ainda. O que leva os caras a saírem correndo de qualquer jeito, por susto ou frustração. E quando eles não correm, eu corro, porque a verdade é que eu não sei lidar com relacionamentos amorosos mesmo e  quando a coisa começa a beirar a seriedade eu fujo, me escondo, corro o máximo que for capaz. Espero secretamente que um dia chegue alguém que mude tudo, que me tire o medo e os meus pés do chão, me ensine a viver e amar da melhor maneira possível.
Tenho um dom pro drama, sei atuar e mentir como ninguém, se tiver motivação e tempo pra ensaiar, claro. (RISOS) Eu sei facilmente ser outra pessoa, só não gosto. Me sinto obviamente uma farsa, por isso evito. Tento guardar essa facilidade em não ser eu, pros meus textos e performances no palco. (???????)
Eu leio vários livros ao mesmo tempo e não termino nenhum. Não domino o uso das vírgulas. Não sei brincar de amor. Nunca telefono se não tiver algo pertinente pra dizer. Trato todo mundo bem e não suporto a idéia de não receber isso de volta. Sou sensível e chorona por detrás da minha máscara de maturidade e frieza. Eu gosto de músicas e livros tristes. Mas não gosto de filmes de drama, acho que minha vida já basta.  
Eu perdi algumas pessoas na caminhada, não pra morte e sim pra vida, o que não deixa de ser doloroso. Mas quando a gente cresce é preciso aprender que nada te dar a garantia de ser pra sempre, e as pessoas tem todo o direito de escolher o que querem pra sua própria vida. Ninguém pode mudar isso.
Agora, eu não me considero feliz, me considero bem. O que é bem diferente. Eu tô vivendo, da melhor maneira que consigo. Com todas as certezas e incertezas, argumentos e contradições, escolhas e indecisões, eu vou vivendo. Porque afinal de contas a gente tem que fazer o que precisa ser feito e a minha nova filosofia é apenas suportar um dia de cada vez. Afinal, como disse Da vinci:  "não se volta se a meta é a estrela."

6 comentários:

Yullia Marizia on 3 de novembro de 2011 01:32 disse...

Gente, que postagem maravilhosa. Me identifiquei em alguns momentos.

É amiga, estar bem é diferente de estar feliz, mas a gente vai vivendo: vivendo, aprendendo, errando, tentando, às vezes acertando e no fim de tudo vivendo da melhor maneira.

Te amo *-*

.Sté. on 3 de novembro de 2011 07:28 disse...

Tantos eus, tantas Camilas. Eu ainda não me enxergo por completo, acho que me falta algumas coisas para viver e me recconhecer. Adorei seu texto como sempre =}
Beijos

.Sté. on 3 de novembro de 2011 07:28 disse...

Tantos eus, tantas Camilas. Eu ainda não me enxergo por completo, acho que me falta algumas coisas para viver e me recconhecer. Adorei seu texto como sempre =}
Beijos

Sarah on 14 de novembro de 2011 18:12 disse...

Como de costume, adorei sua postagem. Uma dica, talvez vc curta, se não conhece: o http://www.tumblr.com/dashboard

Jorge Leandro on 31 de dezembro de 2011 12:23 disse...

Passando pela primeira vez aqui e deparo-me com um texto confessional. Normalmente um texto abertamente confessional, não-ficção, primeira pessoa me afugentaria. Mas não gosto de formar esteriótipos, então comecei a ler e não me arrependi nem um pouco, pelo contrário, o texto é um convite a ler mais desse blog. Muito bem escrito. Sincero e, apesar de pessoal, interessante a qualquer leitor atento. Caso gostes de poesia, fica o convite para passar pelos meus escritos.

Rafaella Souza on 22 de março de 2012 13:10 disse...

"Eu perdi algumas pessoas na caminhada, não pra morte e sim pra vida, o que não deixa de ser doloroso..."

Achei O MÁXIMO isso! Gostei bastante dessa tua postagem.

Beijo, Cam.

 

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